…É pelo futuro que vamos. Juntos.

No passado, falar do futuro era intrometer-se em artes de adivinho, ser bruxo ou vidente das estrelas. Hoje não é preciso bola de cristal para traçar cenários. Tudo é mais previsível mesmo que tudo possa ser surpreendente. Ou seja, o futuro é cada vez mais determinado pelo presente, por aquilo que somos capazes de fazer já e de preferência bem, mesmo que por vezes possamos errar e falhar. 

Só que o futuro não tem que ser exactamente igual ao passado. Para tal, temos que ser diferentes, lendo os sinais dos tempos e agindo em conformidade…. E agir é pertencer a uma “geração construtiva”, a exemplo do que escreveu Almada Negreiros no seu ‘Ultimatum Futurista’.

O futuro exige …mais do que sorte, atitude; mais do que manias, orgulho; mais do que palpites, análise; mais do que incerteza, responsabilidade; mais do que cunhas, talento; mais do que fatalidade, esperança.

O futuro exige que tenhamos grandes causas. As causas deixadas pelo mesmo Almada Negreiros, em Dezembro de 1917, há mais de 100 anos: “Atirai-vos independentes prà sublime brutalidade da vida. Criai a vossa experiência e sereis os maiores”. Ou como nos disse um presidente da República em Março de 2011 : “A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos”.


Mas também orgulho nas origens. O futuro constrói-se, com a capacidade de ter visão, mas também com a humildade de encontrar no passado os alicerces para o desenvolvimento e as raízes das questões que se julgam mais pertinentes.


Exige compromisso com valores, com o essencial, com o que faz a diferença. Logo, lutemos contra a indiferença, a burocracia e a complicação. Contra a ignorância, a resignação, o fatalismo, o medo, o servilismo, a timidez e a injustiça...

Exige universalismo. Não devemos ter receio de ser do mundo, de sermos mais do que portugueses ou madeirenses, sem deixar de pertencer a uma pátria e a uma Região, sem deixar de ser inteligentes, gente com voz, propostas e coragem. Tendo dimensão global, em nome da valorização dos lugares onde nascemos e crescemos.

Exige responsabilidade, que estejamos conscientes das nossas limitações mas também das nossas potencialidades. Se é certo que alguns são remediados, outros endividados e alguns sem emprego,  também é verdade que temos saber, criatividade e valor. 

Exige que sejamos exemplares. Cultivemos  por isso aquilo que é prestigiante, um legado que não nos envergonha nem às gerações de todos os tempos: o mérito, a competência, a capacidade de trabalho, a ética, a transparências e a frontalidade.

Exige instrução. Numa sociedade que valoriza o mérito, a educação é o alimento. É um desígnio no qual cabem todos, ricos e pobres, dotados e diferentes, inteligentes ou desejosos de saber. A igualdade começa aqui.

Exige esperança. Todos vivemos dificuldades mas, com coragem, determinação e vontade de vencer, todos seremos capazes de ultrapassar barreiras. 

Exige voluntariado, empenho em campanhas sem nada pedir em troca, sem pensar em cargos ou proveitos pessoais.

Exige talento. Somos bons em inovação empresarial, em qualidade académica e científica, em criatividade artística e cultural, em investigação. Lideramos projectos mundiais em diversas áreas. Temos enorme potencial no desporto, na música, no cinema…e às vezes deitamos tudo a perder com invejas mesquinhas.

“Temos o hábito de levantar a cabeça à procura de grandes exemplos, e nem sempre os encontramos – mas muitas vezes os melhores exemplos estão ao nosso lado, e alguns deles começam em nós mesmos”. Isto está escrito no discurso do João Miguel Tavares no último 10 de Junho.

Exige vontade. Vamos dar a volta a isto. Interiorizem que hora é de acção. Por vezes de protesto. De grito. De revolta. Mas também de ajudar quem precisa. De lutar por mais justiça, mais oportunidades e mais cultura cívica.

Urge mudar de atitude. Experimentemos por isso trocar...

O calculismo pelo risco

A dependência pela iniciativa

O ter pelo ser

O facilitismo pela exigência

Os pesadelos pelo sonho

O banal pelo essencial

A incerteza pelo rumo

O palpite pelo conhecimento

As coisas pelas pessoas

Este pode parecer um desejo utópico. Até pode ser. Sobretudo para aqueles que cruzarem os braços a julgar que o que está a dar é não fazer nada, não estudar e não desenvolver capacidades, entre as quais a de se desenrascar. 

Estimadas afilhadas e afilhados. É um orgulho ver-vos felizes e realizados.

12 anos de aprendizagem intensa ajudou-vos a crescer como pessoas, a ganhar confiança e a vencer medos. Permitiu construir amizades, ultrapassar obstáculos e definir personalidades. Deu-vos umas luzes sobre o que é realmente importante, educou-vos para o respeito pela diversidade e para o amor incondicional que importa ter por quem nos deu a vida, o pão, o ensino e a esperança.

Levem para a vida o melhor deste tempo irrepetível que, asseguro-vos, dá imensas saudades. Por ser tempo de descoberta, de adrenalina, de irreverência, de conquistas e de sonhos. Mas ainda aqui vamos… afinal, como nos segreda o cardeal poeta Tolentino Mendonça, “uma grande viagem começa com um só passo”.

Ricardo Miguel Oliveira                             

(Padrinho dos Finalistas da Levada 2019/2020)

 Sé do Funchal, 6 de Dezembro de 2019